sexta-feira, 15 de março de 2013

A renuncia de Bento XVI


A cultura prussiana, emanada do século XVIII, que deu origem ás duas guerras que devastaram o mundo, tem caracteristicas próprias; a sociedade deve ser uma máquina ao serviço do estado e cada cidadão uma peça da mesma máquina, assim, o cidadão deve pôr em segundo plano o seu interesse pessoal e subjugar-se voluntáriamente ao interesse da nação.
Para que este objectivo seja atingido, o estado deve convencer os seus cidadãos de que todas as suas necessidades serão satisfeitas numa base de trabalho, esforço, compensação.
O liberalismo, corrente emanada da sociedade inglesa, é encarada como ultrage pois é causadora de caos e insegurança.
Delinear, planear e accionar, são vertentes que não se podem compaginar com a insegurança do liberalismo onde os cidadãos, com as suas decisões pessoais podem emperrar o caminho delineado.
Se o Vaticano tivesse a sua sede em Berlim, e daí propagasse a sua ditadura para o mundo cristão, sería plausível que um Papa alemão conseguisse construir a máquina à sua imagem, mas, sendo o Vaticano, uma criação Latina, com a sua identidade informal, com as suas regras maleáveis, com todos os seus pontos de caos organizativo, onde cada um acaba por decidir de per si, a frustação de um germânico, é um sentimento em constante crescendo que atingirá, sempre um ponto de frustação tal, que só a renuncia poderá solucionar.
O liberalismo, mais uma vez, venceu o planeamento frio, a cidadania, mais uma vez, venceu a hierarquia impositora.