sábado, 29 de outubro de 2011

A Segurança Liberal

Curioso como toda a gente aceita que os denominados serviços da Segurança Social se chamem mesmo isso, isto é:
Um cidadão que durante toda a sua vida activa, faz os descontos para a sua reforma, no fim leva para casa um total que é contabilizado dos seus individuais descontos. Assim, num último vencimento  de por exemplo € 900,00, com a carreira total de anos descontados leva uma percentagem que está prevista. Um outro cidadão nas mesmas condições, mas com um vencimento 5 vezes maior, leva 5 vezes mais.
Onde está o significado de social nestas contas?
Com esta identidade a máquina devería ser chamada de Segurança Liberal e não Social.
Para se assumir como Segurança Social, esta máquina devería ter uma tabela média onde a pensão nunca fosse inferior a um determinado montante, calculado a partir dos parâmetros de qualidade de vida abaixo do qual niguem devería ficar, nem tão alta que excedesse a identidade de criação de riqueza do País.

domingo, 25 de setembro de 2011

Uma Geração Perdida

«Perto dos 70 anos, no fim de um Verão em que Portugal deu de si um espectáculo triste, é a altura de perguntar o que a minha geração, que chegou à idade adulta com o "25 de Abril", fez da famosa liberdade tão esperada durante Salazar e Caetano. Para começar, e de acordo com alguns militares sem letras, tentou tudo para a suprimir. Com poucas excepções assistiu calada, ou mesmo se juntou, à louca procissão do PREC, em nome de uma doutrina que não percebia e de uma sociedade em que nunca aceitaria viver. Esta demissão e esta vergonha ficaram para sempre. A ausência do que tinha sido o movimento estudantil entre 1960 e 1974 no Governo e nos partidos entregou o poder a uma série de arrivistas, que não o tornaram a largar. Quem se perdera pelo grotesco labirinto da esquerda bem pensante por uns tempos desapareceu. O "cavaquismo", aliás, dispensava um pessoal democrático e até a política. Um vago resto do PS sobrevivia (bastante mal) à volta de Soares, que se conseguira eleger Presidente da República, e o que sobrava, disperso e desmoralizado, caíra numa absoluta irrelevância. Muita gente (de esquerda e de direita) emigrou, às vezes definitivamente, para a vida privada ou para a máxima sinecura da "Europa". O "novo" Portugal acabou por nascer e crescer à revelia da minha geração: no Estado, nos partidos, na sociedade. Não era o Portugal que tínhamos querido, nem sequer um Portugal de que pudéssemos gostar. A "história" passara por nós, confusamente, deixando uma prosperidade duvidosa e uma desordem íntima e eufórica, que nos repelia e a que, de qualquer maneira, não pertencíamos. O que veio a seguir - Guterres, Barroso, Santana - não melhorou as coisas. Fora dos partidos não havia nada e ninguém aos 50 ou 60 anos se iria meter na guerra sectária em que eles se gastavam. A posição "decente", e quase unânime, estava em não se meter nessa trapalhada, fosse sob que pretexto fosse. Até porque, no intervalo, uma invasão de oportunistas, com mais força e muitíssimo mais zelo, tapava a boca e o caminho ao mínimo sinal de responsabilidade ou de inteligência. O regime de Sócrates não emergiu por acaso; emergiu desta terra já bem preparada para a corrupção e o arbítrio. Nessa altura, a minha geração só servia para propósitos decorativos. Via e lamentava o desastre que se ia preparando. Mas raramente lhe ocorreu que ela própria também era culpada.»
Vasco Pulido Valente, Público

Pena que Vasco Pulido Valente não tenha reparado que na sua crónica, ele próprio revela uma incapacidade nata  para interpretar os caminhos quando estão a ser percorridos. O presente é sem dúvida a melhor ferramenta para evitar o erro e nesse aspecto, VPV consegue sómente ter consciência do erro praticado mas não da precaução.

domingo, 24 de julho de 2011

Europa e a cidadania.

1º Atentado na Noruega.
Anders Behring Breivik, suspeito dos dois atentados em Oslo, preparava a operação desde o Outono de 2009, segundo um documento de 1.500 páginas que publicou que internet.Neste documento, consultado pela AFP, o norueguês de 32 anos apontava com detalhe os preparativos da sua acção, evocando «a utilização do terrorismo como meio de despertar as massas» e dizia esperar ser encarado «como o maior monstro desde a segunda guerra mundial»
2º Movimento 15M (15 de Maio)
Em primeiro lugar, pode-se confirmar que a amplitude do movimento 15-M demonstra o grande mal-estar gerado pelas repercussões sociais e políticas da crise em numerosos setores da sociedade. Mas também algo que vinha sendo mascarado desde tempos arás, a importante deslegitimação do regime oriundo da transição.
Diferentemente das mobilizações em outros Estados europeus, aqui o movimento 15-M questiona não só a política econômica e social do sistema, mas o sistema mesmo.
Em segundo lugar, pode-se observar o desenvolvimento desigual do movimento nos diversos povos do Estado, questão que parece ter relação, entre outras coisas, com o nível de implantação anterior de organizações sociais e políticas próprias e da existência de um significativo nível de resposta prévio às políticas neoliberais e protofascistas que estão sofrendo os povos trabalhadores do Estado

O elo entre estes dois fenomenos, estará porventura  no sentimento de  não identificação entre eleitos e eleitores que se aprofunda cada vez mais.
Respostas para a situação;
Transparência  na decisão politica, no acesso aos cargos, nas transferências financeiras, nas adjudicações dos estados; Responsabilização pelos actos cometidos, tribunais limpos de pressões, ausência de preferências pessoais e cunhas, defesa do ambiente sem excepções, etc.
Será possível?, não sei; o que sei é que os sinais estão aí para quem quiser ver, se nada se alterar, que teremos mais no futuro?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

TROIKA

Agora que o acordo foi concluído, os números atiram para cerca de oitenta mil milhões de euros de dinheiro fresco para colocar em cima da mesa do banquete que é o estado, agora que já há dinheiro, agora que as facas que vão cortar as fatias já estão afiadas, agora já podemos voltar a ter socialismo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Semana da Mobilidade

A propósito do prémio atribuido por Bruxelas a Almada, tive a opurtunidade de comunicar com o responsável pelo gabinete em Bruxelas e não fiquei mais satisfeito por ser um politico de fora de Portugal.
A verdade é que a escola desta gente é toda a mesma, são gente muito polida, não aceitam qualquer tipo de provocação que cortam logo a conversa. Para esta gente, os actos errados que cometem, não são nada comparáveis com a minima falta de educação.
Enganar os cidadãos é algo natural, ser provocado é de uma falta tão grande de etiqueta que não mais se responde.

Abaixo os mail's trocados entre mim e Peter.Staelens@eurocities


Subject: Almada, vencedora do prémio de mobilidade.
para:<Peter.Staelens@eurocities.eu>

 senhor:
É com tristeza que vejo atribuir um prémio como o da semana da mobilidade a uma cidade como Almada. Só pode ser possível se o prémio fôr atribuido sem verificar a realidade.
De facto, a cidade de Almada é um verdadeiro obstáculo à mobilidade. Os peões são frequentemente surpreendidos com obstáculos nos passeios que vão desde papeleiras  a buracos na calçada. Circular de bicicleta é uma aventura que se não recomenda a ninguem, não há vias cicláveis e a rugosidade do terreno não o aconselha. A demarcação clara entre os passeios e a estrada é, no centro da cidade uma inexistência. Os ambliopes, pura e simplesmente, não têm meios para saber se estão no passeio ou na via. O estacionamento em cima dos passeios e em segunda fila continua sem qualquer tipo de vigilãncia ao mesmo tempo que se autua todos os veículos que estacionam correctamente mas sem pagar estacionamento.
Como é possível, uma comissão da União Europeia atribuir um prémio com este simbolismo a uma cidade com esta realidade?
Alguem se deu ao trabalho de vir verificar no terreno se a promoção correspondia à realidade?
Se não, como se pode atribuir um prémio sem verificar a capacidade do premiado?
=================================================================================
        European Mobility Week   www.mobilityweek.eu


Peter
Staelens
 para mim

mostrar detalhes 11 Abr (há 2 dias)



Dear Mr Oliveira
My apologies for not replying to you in Portuguese, but I hope you will understand. Almada has been selected as a winner for the progress they have made over the last ten years, and, although I assume there's still work to be done in the field of cycling infrastructure and accessibility of sidewalks, several transport experts  - both indepent EU experts and local transport planners - have been able to confirm that Almada underwent a serious transformation. As we have more than 40 applications each year it is not possible - nor affordable - to visit each of the cities with a jury delegation. Anyway, I appreciate your feedback and your concern for a safe walking and cycling environment in Almada.
Kind regards
Peter


A sua resposta é completamente insatisfatória.
O sr diz que Almada tem feito muitos progressos nos últimos anos; pelo contrário, presentemente é muito mais arriscado circular seja a pé, seja de bicicleta, seja ainda de automóvel que há dez anos atrás. O comboio que atravessa a cidade já matou várias pessoas. Se não é possível nem prático visitarem as cidades com uma delegação de júris não devem difamar o prémio que atribuem.
Creio ser de uma total incongruência e populismo atribuir um prémio que premeia o contrário do que existe.
Porque não se desloca a Almada?, venha pedalar na cidade, venha gozar a zona pedonal, tente atravessar a linha do comboio, a pé, de bicicleta, de scooter, de automóvel, venha ver o que premiou!
Que vergonha de trabalho, é para isto que Bruxelas cobra impostos?

Lamentávelmente
Oliveira

No dia 11 de Abril de 2011 14:21, Peter Staelens <Peter.Staelens@eurocities.eu> escreveu:


Peter Staelens
 para mim

mostrar detalhes 11 Abr (há 2 dias)




Dear Mr Oliveira

I hope I have understood everything well. I also received similar e-mails so I assume your action is coordinated with other people from Almada. As I explained to one of the other persons that complained about this, we don't have a budget that allows us to travel with a jury of experts to examine all 40 applicants, nor do we have the budget to involve local stakeholders in the decision process. We try to compensate this by engaging qualified experts and by designing clear criteria. If you feel Almada does not deserve the Award, then I think it will be much more effective if you raise this matter at the local level. From the side of the European Coordination of EMW - which is managed by 3 city networks - I can only say that the award scheme effectively encourages many other European cities to become more ambitious in developing and implementing a sustainable transport strategy, and therefore has a value in its own.

Best regards
Peter

 oliveira
 para Peter

mostrar detalhes 11 Abr (há 2 dias)







para
Peter Staelens <Peter.Staelens@eurocities.eu>




data
11 de Abril de 2011 17:40

assunto
Re: E-mail from the Mobility Week Website

enviado por
gmail.com



ocultar detalhes 11 Abr (há 2 dias)




Como reparou fácilmente que existem mais pessoas descontentes e que estão coordenadas, penso que não seja completamente inoperante; é no entanto o método aconselhado pelas democracias, isto é, os cidadãos devem unir-se no que a eles interessa. Vê algum malo nisso ou está a pensar na teoria da conspiração?
Como é possível tamanha ingenuidade?, aconselha-me e aos restantes Almadenses a dirigirmo-nos aos nossos representantes locais!!!, saberá o sr. que os nossos representantes locais são comunistas?, saberá o que isso significa em termos de respeito pela cidadania? Sò deve estar a sacudir a água do capote, então se não tem a capacidade de evitar este tipo de erro, o sr. aí representa ou responsdabiliza-se porquê?
Se o prémio, como  sr. diz, serve para incentivar outras cidades a desenvolverem estratégias sustentáveis de transportes, porque não impôr caminhos e só depois verificar se o prémio deve ou não ser atribuido?
Como podemos entender a entrega deste prémio a Almada quando o meio de transporte mais recente é uma fraude financeira, um sorvedouro de dinheiros públicos, (sustentabilidade), e causador de acidentes mortais?
Como pode justificar?

Lamentavelmente
Oliveira


Depois, a partir daqui, mais nada.
O homem ficou ressabiado.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cidades

Temos visto nos últimos tempos alguns movimentos de gestão autárquica que claramente prejudicam a vida económica das cidades.
O pior é que esses movimentos não são diferenciados em termos politicos, isto é, não interessa se os politicos são de esquerda ou direita, as agressões são sempre do mesmo tipo; controlar, limitar, prejudicar a economia.
As cidades estão a desertificar-se nos seus centros e os autarcas parecem satisfeitos com isso, que se estará a congeminar naquelas cabecinhas?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aristocracia

A Républica não conseguiu acabar com a aristocracia. Pelo menos aqui na Europa, os herdeiros das monarquias conseguiram manter um reduto nas várias instituições que giram à volta dos estados. Ministérios, Universidades, Hospitais, Administrações, etc, são os antros destas familias que desde sempre viveram à conta dos rendimentos do país.
Geração atrás de geração, esta gente entra com a maior das facilidades ao serviço de gabinetes tutelados por papás, tios, compadres, manos, cunhados.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Neo Liberalismo

A auto regulação dos mercados.
Se houve consequências importantes na crise iniciada em 2007 e que ainda vivemos, no que ao liberlismo diz respeito, não descortino nenhuma. Diz-se que a auto regulação dos mercados é um mito e se provou que de facto não funciona e é problemática.
Na verdade, não houve nenhum estado que deixasse o mercado funcionar e pensasse em aplicar as regras préviamente defenidas, isto é:
Independentemente do tamanho da instituição financeira, os governos não deveriam intervir fora das regras, nada de nacionalizações, utilização das regras contratuais com os bancos centrais e a criminalização dos responsáveis. Todas as ferramentas existentes, eram e continuam a ser suficientes.
Um banco que vai à falência, deve seguir os mesmos passos que qualquer empresa, comissão liquidatária, separação dos activos e passivos, apuramento de indemenizações e impostos e finalmente, se houve ação danosa, investigações criminais. O mercado irá fazer o resto.

domingo, 2 de janeiro de 2011

É crise, ou faz-se crise?

A crise?
Lembro-me que em Almada havia uma feira dos ciganos na praça S.João Baptista.
Em meados da decada de noventa, um movimento que agradou à Câmara, contestou a legitimidade da existência de tal feira, parece que não pagavam impostos,'os feirantes', que faziam concorrência desleal. A feira foi fechada e relegada para o Feijó, os feirantes não gostaram mas, acabaram por ter um sucesso tremendo e todos os dias o movimento era imenso.
Sem qualquer alarme de ninguem, a câmara, passados uns tempos obriga a feira a realizar-se só aos domingos; silenciosamente, os feirantes respeitaram esta limitação e passaram a trabalhar ali só um dia por semana.
O centro de Almada definhou por falta de movimento, os comerciantes que clamavam contra a concorrência desleal, clamam agora que a cidade está morta.
Os feirantes,'perseguidos', teimam em fazer afeira aos domingos e a zona, quando há feira, enche-se de gente e todos os comerciantes em redor fazem negócio mas, se a feira podia existir todos os dias, se os feirantes podiam trabalhar todos os dias, porque se tira o direito ao trabalho a esta gente?
02/01/2011